top of page

Os símbolos do

25 de Abril de 1974

Ao falarmos dos seus simbolismos, temos que fazer referência aos cravos vermelhos. Flor abundante por ser da época, que a população distribuiu pelos soldados vitoriosos, colocados nos canos das espingardas, no dia 25 de Abril de 1974, passando a ser um dos símbolos da Revolução que também ficou conhecida pela Revolução dos Cravos.

Foto de militares com cravos.png
cartaz menino coloca cravo.png

Soldados numa rua de Lisboa.

Cartaz do 25 de Abril, fotografia de Sérgio Guimarães

Zeca Afonso, "Grândola Vila Morena"

2.ª senha - marca o início da Revolução
Vídeo do youtube, publicado por luiisfdias

Outro símbolo muito importante é a música de intervenção, pois foi através dela que se exprimiu o mal-estar social. A sua intenção é focar a atenção de quem a ouve nos problemas que assolam o país.

Como alunos de uma escola de música, o Conservatório de Música de Barcelos, não podemos deixar de exprimir a importância da música. Para o efeito pedimos autorização para divulgar o nosso contributo com uma interpretação da música “Embalar” de Zeca Afonso. Este músico, ficará sempre na memória como um interventor social, com uma música carregada de simbologia política, onde “semeava” com as suas palavras toda a opressão sentida pelo povo português. A importância que teve na História de Portugal será eternamente relembrada, sempre que um professor falar da segunda senha (Grândola Vila Morena) escolhida para começar a Revolução.

"Canção de embalar" do álbum Cantares do Andarilho (Versão alunos do Coro da Câmara Luís Costa do Conservatório de Música de Barcelos.

 

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Partilhamos a nossa homenagem a Zeca Afonso, um dos símbolos do 25 de Abril de 1974. Ficará sempre na memória como um grande humanista e pensador.

"Embalar" de Zeca Afonso pelo Coro da Câmara Luís Costa, alunos, do Conservatório de Música de Barcelos. 

Classes dos Professores Maria João Matos, Joana Ribeiro e João Mesquita.

O nosso agradecimento ao CMB e aos professores responsáveis pela cedência do vídeo.

Esta canção foi escrita em Lourenço Marques em 1965, segundo a informação da associação José Afonso, a sua toada é medievalesca em tom menor, a letra e música ocorrem quase em simultâneo. O próprio Zeca Afonso fez um comentário sobre esta balada: “A estrela d´alva surge acima do horizonte para os lados de Xiparnanime com a cumplicidade das res­tantes. Quando os adultos dormem e as luzes se apagam nas janelas os meninos levantam-se e vão cumprimentar as estrelas.”


Não encontramos nenhuma análise crítica sobre esta canção, tudo remete para uma balada, uma fase do cantor em que recupera antigas formas musicais e poéticas tradicionais. Mas tendo em conta a data, o local onde foi escrita, sabendo da sensibilidade do autor e sentido crítico aos horrores da guerra, e interpretando o comentário que o autor faz sobre esta música, aventuramo-nos em tecer alguns comentários. Zeca Afonso dizia “semeio palavras na música”. Será que queria transmitir a esperança de terminar a guerra, um apelo ao término dos horrores da guerra.

Dorme meu menino (povo/ dorme descansado que tudo vai ficar bem). Já procurei a estrela d´alva (anúncio do amanhecer de um novo dia) e não a vi, mas não te preocupes que se ela não vier de madrugada, outra que eu souber será para ti (a esperança mantém-se, é uma questão de tempo). Ouvirás cantando nas alturas (…) Afina a garganta meu cantor (grito à liberdade/apelo à mudança) pois, quando a luz se apaga nas janelas (quando o povo se deixa oprimir), perde a estrela d´alva o seu fulgor (perde-se a esperança de um novo dia/ mudança para melhor). Perde a estrela d´alva pequenina se outra não a vier render (quando a luz se apaga nas janelas, o novo amanhecer torna-se pequenino a não ser que outra a venha substituir). Dorme que ainda a noite é uma menina (ainda muito pode acontecer e muitas estrelas podem surgir), deixa-a vir também adormecer (adormecer a noite, a escuridão, a opressão…). “

Quando os adultos dormem (os opressores) e as luzes se apagam nas janelas (emerge na escuridão/em segredo a mudança) os meninos levantam-se e vão cumprimentar as estrelas.” (o povo cumprimenta o novo amanhecer/esperança de um novo dia/ a mudança esperada).

A música de intervenção, é usada por muitos músicos atuais para fazer críticas sociais, políticas e económicas. A diferença é que antes do 25 de Abril seriam censuradas.

bottom of page